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Da Itália para o Brasil

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No final dos anos 60, o padre italiano Mario Racca se mudou para o Brasil. Veio para uma missão religiosa na cidade Carutapera, no Maranhão. O contraste com a realidade da Europa era evidente e ele conheceu de perto as adversidades e belezas do interior do país. Florestas, animais, lugares paradisíacos, pobreza; tudo era novidade e rendia experiências e aventuras únicas. 

Quando voltava para a Itália, histórias não faltavam para contar e quem as escutava com entusiasmo era seu sobrinho Guido Oddenino, que tinha entre 14 e 15 anos. “Quando o meu tio ia lá em casa, era como ele se fosse um mito. Só o fato dele morar no Brasil já era sensacional”, lembra Guido, que, com o tempo, foi se interessando cada vez pelo país. Ao completar 18 anos de idade, realizou um sonho antigo: viajou para o Brasil, juntamente com a sua irmã, e passou um mês com o padre. 

“Depois retornamos para a Itália, mas continuei em contato com o meu tio. A minha irmã também continuou falando com as amigas dela do Brasil e, uma delas, inclusive, hoje é minha esposa. Começamos a namorar e quando ela foi para a Itália, em 1993, nós casamos”, lembra Guido. 

Não tardou para que o casal sentisse saudades do Brasil e quisesse voltar. “Eu era músico e professor na Itália. Tinha uma condição financeira boa, mas vendi tudo, comprei uma casa em Belém e viemos para cá em 1996. Cheguei aqui sem nada praticamente, só com a casa e uma Kombi, que comprei para fazer frete, mas não deu lucro nenhum. Aí comecei a buscar emprego como professor de italiano”. 

Passou a dar aulas em escolas e, quando percebeu que havia mercado e oportunidade de ter mais alunos, abriu em 1999 seu próprio negócio: o Liceo Italiano. A escola deu certo e atualmente é referência no ensino e na divulgação da língua e da cultura italiana em Belém. Além das aulas, ele ainda continua com a carreira de músico e promove diversos eventos culturais, como jantares temáticos e excursões para a Itália.

E essa é a trajetória bem sucedida de Guido, que saiu da Europa e arriscou tudo para tentar a sorte em Belém. O seu tio, Mario Racca, que foi o grande responsável por fomentar nele a curiosidade pelo país, hoje está com 81 anos e ainda vive em Carutapera, contribuindo para o desenvolvimento da cidade.